sexta-feira, 19 de abril de 2013

Chamado à Primavera



as lembranças e os desejos de amanhã

neste lugar efêmero
faço meu lar inconstante
guardião de todas as flores
as difíceis de cultivar
as que se dão sem nenhum pudor

nesse lugar aflito
cheio de vontades
transbordante
chamo a primavera como faço uma oração
para que meu jardim nunca feneça
mas possa se multiplicar pelas que chegam
e pelas que se vão

à todas as flores :
as cores
muitas
muitas
muitas sempre.

Henrique Manoel Manara


Performance : Chamado à primavera

com Marina Rainho

Fotos de Bruna Rosa

Trilha: Nega Música de Itamar Assumpção

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Jazz no Barroco e Barraco

  Ao lado da igreja da Nossa Senhora do Rosário um novo e velho imaginário toma conta das noites de Ouro Preto, o Jazz.


 Promovido por Danilo Avelar no seu café galeria Barroco e Barraco Brechóearte, vemos uma nova cena surgir. Com uma cara de Meia noite em Paris, o largo do Rosário nos confunde no tempo. Poeticamente esperamos que Vinicius e Nedura, visitantes assíduos de Ouro Preto nos anos 60, sentem em nossas mesas e peçam um café. E isto é possível tamanha a gama de atores, atrizes e poetas que desaguam neste local.
Nesses tempos de redes, este é um Lugar Possível como diria Geuder Martins. Quantos filmes a Macaca poderá realizar nesses encontros ? Quantos eventos o Muzinga fomentará nessas tardes e noites ribaundianas?

Figuras como Thaiz Cantasini, Catin Nardi , Bárbara Buzatti, Elis Mira, sempre atentas as belezas da palavra e dos corpos captam novas dramaturgias urbanas , poemas, poemas, poemas... cada vez mais e mais e mais....

  Roteiros estão nascendo, filmes ainda inacabados nas mãos do diretor imaginário...

 Kerouac dizia, estou atrás dessas pessoas que queimam e querem mais e mais e mais...

Danilo Avelar, Tabajara Belo, Pamelli Marafon, Henrique Rocha, Ciro Medeiros, Henrique Nolasco, Bola, Tonho, entre vários jazzistas nos dão o pano de fundo desta possível Vaudeville .

Fotógrafos como Eduardo Tropia, Leo Lopes, Dougas Aparecido, Marcelo Tholedo, Bruna Rosa fazem o recorte, o enquadramento, assim como todos que com suas ferramentas de bolso contribuiem a essa memória contemporanea.
É possivel que algo novo esteja acontecendo Geuder Martins? Essa é uma cidade possível Thaiz ? Mirela, o que esses corpos querem te contar, querem te tocar? Dhu Rocha, o que esta abaixo do Sol?  lhes pergunto meus poetas. 

Venham fazer justiça Mateusão, Christian Bravo e Bruno Campelo, meus eternos mosqueteiros. O Coelho lhes convoca à um novo Vaudeville, tomemos as ruas não DE graça , mas POR graça.

Movimento EVOÉ, viva e deixe viver.

Fotos de Bruna Rosa, veja mais no link.
http://www.flickr.com/photos/brurosa/7889386156/

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Teia

Começamos com um jogo de silêncio, onde todos fecham os olhos e percebem sua própria  respiração, seu próprio corpo.  Após estes instantes de ilha, de neutralidade, a Aranha Lenine, nos separa em duplas no Horto dos Contos. Faço dupla com uma amiga que gosto muito, Mirella Ferraz.
O jogo se segue. Confiança e entrega, revezamento de condutor/receptor, receptor/condutor. O condutor de olhos abertos leva o receptor com pequenos toques em seu corpo ( pontas dos dedos, cotovelos, nariz) o receptor se deixa levar por esse balet proposto por um outro corpo. Entrega, tranquilidade e confiança são necessárias por parte de quem recebe, cuidado, carinho e segurança por parte de quem doa.
Dilatação da consciência corporal e sensorial.
A aranha tece mais sua Teia, cada um das duplas coloca dois elásticos. Um na perna direita e braço esquerdo e no parceiro o contrário, braço direito e perna esquerda, criando um jogo de oposição e desequilíbrio para um corpo presente, um corpo dilatado ( BARBA, Eugênio) .
A dança agora cresce, e é feita de olhos abertos, nossas respirações se dilatam percebendo cada vez mais a respiração do outro corpo. O outro só pode crescer e se libertar no espaço com a ajuda de seu parceiro, e vice versa. Uma linda dança de ventrilocos marionetes se dá sobre as árvores do horto.
Quando todos corpos já ESTÃO presentes, a Aranha os envolve num grande corpo coletivo. Como em uma mandala osmótica, que se transforma sempre pelo movimento do outro e do meio, cada corpo é amarrado por dois elásticos formando um grande corpo coletivo. Tomamos as ruas de Ouro Preto, saindo do Horto de Pilar, subimos a Ladeira da escadinha que desemboca no Lardo da Alegria.
Os corpos são hora leves, hora pesados, o pensamento se vai, se esvazia, dá lugar ao suor e aos sons guturais que a força do inconsciente permite. Assovios, gritos de força, silêncios, pausas... sempre dois ou três são mais fortes, como numa corrente elétrica que passa por vários vórtices.
Alcançamos o topo da escadaria, no Largo da Alegria. Duas pessoas se separam. Pequena pausa...novo destino é traçado, Cine Vila Rica, seguindo pela rua São José.
Agora em linda reta, não tendo o esforço da subida e com todos os membros acordados, a mandala ganha a leveza do descanso, brincadeiras surgem, passando seus fios por cima dos carros, brincando de laçar os turistas e curiosos que acabam brincando com a grande teia que lhes quer abraçar.
Somos muitos em um só, doando e recebendo. Tendo calma e generosidade, para poder  caminhar juntos. Só assim é possível caminhar juntos, com calma, generosidade e respeito com o corpo, o tempo e o espaço do outro, MAS  TAMBÉM sendo combustível, cúmplice e suporte da caminhada do parceiro. Só assim a teia cresce e alcança novas ruas, novos espaços, novos ritmos e respirações. Só com o respeito e com a aposta conjunta. Um dá coragem ao outro, um liberta o outro e a si mesmo.
O coletivo escutando o indivíduo, o indivíduo fortalecendo o coletivo.
Que cada vez mais teias sejam tecidas por todos espaços e tempos.
Gratidão  minha amiga e Aranha Lenine

Henrique Manoel Manara

Performance Teia, proposta por Lenine Guevara

Trabalho e educação


Vídeo de Douglas Aparecido
Fotógrafo e Videomaker · Ouro Prêto

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